quarta-feira, março 01, 2006

Consequência Da Gripe Das Aves e a Corrupção Pão-nosso De Cada Dia

Quando a comunidade encarnada soube que Baía ocuparia a baliza portista no clássico da Luz, terá assombrado a mente dos seus constituintes – avessos a acreditar nas justificações que transpiraram do Centro de Estágio do Olival – uma de duas ideias: ou as gentes azuis estariam apostadas em presentear Baía com a comemoração do seu 400º jogo no palco futebolístico que mais prestigia e engrandece a celebração de ocasiões singulares, ou, com mordacidade a rodos, as mesmas gentes pretenderiam ver Baía celebrar o tal 400º jogo na Liga maior diante do inimigo. E assim foi. Não se concretizou a vitória azul, mas a efeméride foi comemorada num momento único (ou nem por isso, dir-se-á na Reboleira) que terá secado a garganta a essoutra comunidade de miguéis sousas tavares que por mais algum tempo terá de calar a voz da reclamação da presença de Baía nas balizas do Porto e da selecção. É que parece que a gripe das aves propagou-se, mesmo, a Norte...
Futebol exclusive, soube-se a semana passada que José Sá Fernandes terá sido alvo de tentativa de suborno por parte da Bragaparques, com o intuito de instigar o vereador da edilidade alfacinha a recuar nas objecções que levanta ao negócio de permuta de terrenos entre o Parque Mayer e Entrecampos. Ora, já se sabia que entre autarquias e empresas com interesses imobiliários sossobram, sem discriminação geográfica, negociatas polvilhadas com as mais distintas formas de corrupção, luvas vêm e luvas vão, tudo sob um manto de silêncio que acentua a dimensão das conivências instaladas. Daí não se estranhar (antes se retirando as devidas ilações) a reacção de reputados vereadores camarários da capital (e seu presidente Carmona) quando confrontados com a supracitada tentativa de corrupção sobre Sá Fernandes. Ou seja, não só em Assembleia Municipal foi recusada a divulgação dos negócios passados e existentes com uma empresa cuja administração assumiu hábitos corruptivos (política camarária reveladora do défice de transparência e preocupação em abafar incomodidades, sendo reiterada a vontade de continuidade de relações privilegiadas com uma empresa que exibiu de forma clarividente o seu nebuloso modus operandi), como igualmente, e a fomentar suspeitas de proliferação de conivências entre poderes públicos e interesses privados, uma complacência indisfarçada (percebida pela vontade em tratar com souplesse matéria que exigiria resposta veemente) invadiu inúmeras caras da Câmara de Lisboa, podendo residir na génese de tal comportamento a confrontação com assunto que se pretende desvalorizar por ser normativo, pelo que deambularão pelos Paços do Concelho magotes de rabos presos.
Se em todo este caso se somar o facto de se saber ser o dito negócio com a Bragaparques lesivo para a capital e, bem assim, se atentar no modo descuidado e leviano como a administração da Bragaparques abordou Sá Fernandes na sua tentativa de corrupção (levando a crer que a rotina instalada promoveu o despudor), depressa se concluirá que muito dinheiro roda por fora deste e da generalidade dos negócios de pretensa legalidade que enchem autarquias e demais entidades públicas deste país. Mas também isso não constitui novidade...

This page is powered by Blogger. Isn't yours?