quinta-feira, junho 22, 2006

Um Salto a Timor e... a Tal Crise Que Os Mesmos De Sempre Suportam

Com a GNR em solo timorense há largos dias, Portugal arrisca-se a desempenhar papel preponderante num golpe de Estado com o qual se revela compactuante e cujo propósito passa pela viabilização de um Estado religioso em Timor Leste. Prova disso será o facto de a Igreja, no passado não muito distante arrogada ao direito de imiscuição nas mais relevantes decisões políticas do território, optar por gastar semanas de conflito aberto relegada a um silêncio que somente não será comprometedor para quem não pretender interpretar a realidade.
Por cá é a população das grandes urbes a ser novamente afligida por mais um aumento do seu custo de vida, desta feita por via do agravamento do preço dos transportes públicos que, doravante, passarão a ver as suas tarifas actualizadas semestralmente. A apresentação do aumento do preço do petróleo enquanto motivo bastante para obrigar à imputação junto do consumidor final dos maiores gastos suportados empresas transportadoras suscita a colocação de distintas questões, como, por exemplo, a de se procurar saber se os preços dos transportes irão de igual modo acompanhar o desagravamento dos preços do petróleo quando assim suceder. Está bem de ver que não.
A resposta governamental favorável às pretensões das empresas transportadoras em dispor de liberdade para proceder à actualização de tarifas com maior frequência e tomando em considerando os preços dos combustíveis somente seria compreensível num utópico quadro em que ao comum trabalhador utilizador de transportes públicos também fosse concedida uma actualização mais assídua do seu ordenado de molde a tomar em consideração gastos maiores com, justamente, os transportes. Uma linha de raciocínio porventura demagógica, mas que somente poderá afigurar-se desajustada para quem não olhe para a sociedade como um todo e não como uma organização onde de forma liminar e regrada compete ao mesmo estracto médio/baixo suportar os incómodos económico-sociais de uma crise por outros aprofundada. E uma linha de raciocínio que, antes de tudo o mais, somente seria aplicável num Estado onde o grosso da população consumidora tivesse maior peso e consideração nas decisões governamentais e empresariais, algo que não ocorre em Portugal, conforme facilmente se constatará quando se observa que ainda há dias o executivo socialista, ao viabilizar a compra da maioria das acções das Auto-estradas do Atlântico pela Brisa, despudoradamente atirou para o lixo toda e qualquer legitimidade da Autoridade da Concorrência para actuar e se pronunciar com o mínimo de credibilidade e, passe o pleonasmo, autoridade.
Há muito deu para comprovar que o Governo de Direita instalado no poder (e não, não é lapso) tem do bem-estar e retoma económicas a noção de que ambas dependem exclusivamente dessoutro bem-estar do patronato e dos grandes colossos empresariais, não havendo economista neste país capaz de explicar a Sócrates e companhia que a retoma também se faz, e não pouco, pelo aumento do poder de compra da cada vez menor classe média e de uma melhor qualidade de vida da mesma que instigue ao consumo.
A banca, as gasolineiras, o grande patronato enriquece. Haja crise,... e haja socialismo.



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