quinta-feira, junho 01, 2006

Mais uma Ficha, Mais uma Volta No Grande Carrocel Da Imoralidade

Reaflorando as pensões de que aqui se falou na última vez, ao trabalhador comum que desconta toda uma vida para auferir uma reforma sofrível já nem as centrais sindicais servem de defesa dos seus interesses, porquanto a UGT aproveitou a semana pascal, em que no Parlamento centena e tal de deputados fez gazeta injustificada, enquanto mote para propor o desconto das pontes dos trabalhadores nas férias. Louve-se o oportunismo.
Há dias quem aqui escreve aproveitou o que outros de reputação e craveira jornalística escrevem no Correio da Manhã para soltar neste endereço a indignação pelo antro de corrupção que grassa no país. Como o cansaço também por aqui prolifera, aproveitam-se novamente as próximas linhas para transcrever o que no dito matutino saíu publicado acerca da maior edilidade portuguesa e de como os dinheiros públicos são esbanjados, justificando o que há muito se sabe relativamente ao facto de nas autarquias terem origem os mais despudorados assaltos ao património público.
Siga a transcrição: «Câmara dá carros a seu bel-prazer. Pagou 6,2 milhões de euros pelo combustível que acabou um ano antes do previsto. A Câmara de Lisboa tem cerca de 500 viaturas, das quais 300 estão ao serviço dos dirigentes do município: presidente, vereadores, directores municipais e directores de departamento. Mas a lei é clara e só atribuiu automóveis aos eleitos locais (presidente e vereadores) e “quando em serviço da autarquia”. “A esmagadora maioria, além de ter carro, faz uso pessoal dele transportando-se para casa, indo ao supermercado e até à escola dos filhos”, garante ao CM um funcionário municipal [...]. O uso pessoal das viaturas municipais pelo presidente e vereadores ficou estipulado num despacho redigido, em 2002, por Santana Lopes; neste documento, o então presidente da autarquia atribuía também viaturas oficiais aos directores municipais. Mas o despacho é ilegal, pois contraria a lei em vigor, que estabelece que só o Presidente da República, presidente da Assembleia da República, membros do governo e o presidente do Tribunal Constitucional possam fazer uso pessoal da viatura oficial. Carmona Rodrigues, actual presidente do município, não tem automóvel pessoal, pelo que quando não se transporta na sua mota fá-lo no automóvel do município, um Peugeot 607 [...]. Os vereadores do executivo também se transportam nos carros da autarquia, tal como os directores municipais e, “se se justificar”, os directores de departamento. Para os funcionários da Câmara, “afectar um bem público a uso pessoal é crime”, mas para a Câmara, segundo o assessor do presidente João Reis, ninguém incorre em ilegalidade porque “o presidente e os vereadores estão 24 horas por dia ao serviço da autarquia”. Já quanto aos directores municipais ou de departamento “a Lei das Autarquias Locais atribuiu à Câmara o direito de gerir os seus bens como entender”». ‘Tá visto que sim...
Tão abnegada e imaculada gestão a autarquia alfacinha faz dos bens públicos, não admirando o seu sobre-endividamento, já que sobejam a corrupção, o peculato e o mais que se invoque. Com todas as letras e a toda a extensão do espectro político.



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