quinta-feira, abril 06, 2006

Está Visto Que Quanto Mais Se Mexe Neste Portugal Mais Ele Fede

Nada de relevante tem ocorrido no espectro intranacional, tomando em consideração que no cerne da questão está um país chamado Portugal ou, dito melhor, um Estado de pouco direito onde ao serviço nacional de saúde e aos sistemas de ensino e justiça desprestigiados e descredibilizados em toda a plenitude se soma uma polícia a cada dia mais persecutora dos mesmos passos. Nada de relevante, portanto.
Para lá dos engenhosos esquemas de corrupção que associam Brigadas de Trânsito e coimas a perdoar mediante recompensas económicas, o que de novo veio à tona responde por tráfico de armamento ilegal executado há duas décadas com envolvência directa de altas esferas da Polícia de Segurança Pública e elevados graus de complacência. Ora, quando são divulgados dados que sustentam o aumento da criminalidade violenta (tendo os assaltos a instituições bancárias aumentado de forma exponencial) e dão como fundamentados os receios de abastecimento de redes terroristas em terras lusitanas (as mesmas que por cá se passeiam em livre-trânsito), seria interessante saber-se quantos crimes tiveram participação directa de armas traficadas pelas forças de segurança ou, o que vai redundar na mesma coisa, por quem dentro delas se movimenta há bem mais de um decénio sob completa impunidade.
Claro que muito mais poderia revelar-se interessante descobrir. E sendo certo que o aumento de assaltos contra entidades bancárias contida solidariedade pública suscitará, dado a célere recuperação dos prejuízos causados ser grandemente patrocinada pela regra da sistemática incidência dos agravamentos fiscais sobre outros que não pessoas colectivas ostentadoras de lucros pornográficos em tempo de crise, já outras questões de maior pertinência mereceriam ser colocadas. Por exemplo, quando se homenageiam polícias assassinados em actividade, quantos dos mesmos poderão ter sido mortos por armas traficadas pela própria polícia? E a quantos cidadãos deste país terá sucedido situação identicamente promovida por quem é pago para conferir a sua segurança? Mistério...
Noutro âmbito, mas ainda e sempre concernente às forças de segurança de que o país usufrui, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras procedeu à detenção de meia dezena dos seus funcionários, mediante a acusação de auxílio à imigração ilegal. Somente mais um relato assaz elucidativo do modo como entre Portugal e a república das bananas vai uma distância bem menor que a de um cacho cheio daquelas que vêm da Colômbia ou, pior, da Madeira.
Por fim, o último número da Visão expõe os valores indecorosos respeitantes ao financiamento dos partidos políticos. No próximo triénio as forças partidárias da nação irão absorver mais de sessenta milhões de euros, tanto quanto o bolo total de investimento que Sócrates persuadiu Bill Gates a investir em Portugal. Não admira que tanta alma procure subir na vida por intermédio da militância partidária que tanto lugar assegura a quem no currículo tem os privilegiados conhecimentos pessoais enquanto ítem de maior relevância. O maior cancro deste país deambula pelo próprio Parlamento sem que ninguém com isso perca o sono. E todos por lá se servem, em moldes de rodízio onde os dinheiros públicos ocupam lugar de destaque no menú.



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