quarta-feira, março 08, 2006

O País Definitivamente a Saque No Respeitante à "Corruptócracia" Vigente

É sabido que o país navega num mar de corrupção, tráficos de influências e fraudes fiscais. Todavia, consta que quem com isso pouco parece preocupar-se é a Polícia Judiciária. Pelo menos a subentender-se pelo despacho interno que Santos do Amaral fez circular no interior desta instituição em inícios deste ano.
Com efeito, e ainda que em tempo oportuno o seu director tenha vindo a público desmentir pontos fulcrais, ficou a saber-se que para o ano de 2006 a PJ (por ordem das suas chefias, como é bom de ver) decidiu conceder primazia ao combate ao terrorismo, relegando para plano tão secundário que tão pouco consta das suas principais prioridades de combate os famigerado crimes económicos que são o que mais Portugal respira. Ou seja, quando se sabe manterem os organismos públicos (e, de forma tão evidente quanto escandalosa, as autarquias) relações mais que ilegais e obscuras com entidades privadas, a troco de benesses económicas concedidas sob a mesa, e quando se sabe serem os mais altos cargos públicos e semi-públicos da nação ocupados por quem se presta a serventias pessoais, e/ou servirem os concursos públicos de admissão de funcionários na administração pública enquanto instrumento ideal de teatralização de uma legalidade e transparência tão inexistente quanto o são os mamutes na era actual, a verdade é que a Polícia Judiciária vem considerar ser mais relevante o combate a um terrorismo que em terras lusitanas pouca ou nenhuma expressão possui, ao invés do combate a essoutros crimes que conspurcam o país de Norte a Sul.
Por esta altura seria interessante aferir se as enésimas formas de corrupção, de tráfico de influências ou de fraude fiscal não constituem por si só, tanto mais atendendo aos contornos golianos que tais crimes assumem no nosso país, arquétipos de terrorismo tão ou mais graves no cenário de uma democracia que se desejaria plena, por serem na sua génese e mais distintas dimensões atentatórios a um Estado que se pretenderia de direito. Por certo que sim, mas as vontades (ou prioridades) são outras, e, assim sendo, ainda que se corra o risco de incorrer em pensamentos conspirativos ou coisa que o valha, num país onde grassam a corrupção e demais crimes económicos sem que a sua maior polícia de investigação criminal conceda prioridade ao combate de tais flagelos, esta somente poderá ser acusada de cultivar uma de duas posturas (senão ambas), sejam elas a da complacência ou da conivência (e é bem ténue a linha que as delimita).
Independentemente de tudo quanto aqui se disse (e também na sua sequência), sobrará por referir que cada vez mais, e sobretudo sempre que à arraia miúda for solicitado que se sacrifique pelo seu país ou pendure bandeiras nas varandas, a resposta adequada deverá passar por ao emprego frásico da expressão «deste Portugal» deixar de anteceder o predicado sentir (conjugado na primeira pessoa do presente do indicativo) complementado pelo substantivo vergonha, já que com propriedade ainda maior será conjugada a mesma forma do referido verbo sentir seguido dessoutro substantivo nojo.



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