sexta-feira, março 10, 2006

Das Poucas Alegrias e Mais Tristezas Que Marcam o Quotidiano Nacional

O Benfica derrotou em pleno Anfield o campeão europeu em título, os Reds de Benítez que há um par de meses pouparam milhões ao se recusarem a pagar o solicitado pelo jogador que agora autografou a primeira estucada que retirou aos mesmos Reds milhões a redobrar. Moral da história: no poupar não esteve o ganho. Ou seja, afundou-se o Liverpool (não no submarino amarelo dos Beatles, mas parecido), enquanto que por cá se adivinha que o companheiro de Carolina Salgado não seja autor de pérola semelhante à proferida quando os da Luz eliminaram o Manchester, momento aproveitado para desvalorizar o feito ao frisar não serem os pupilos de Ferguson o Chelsea ou coisa próxima (neste âmbito, seria oportuno perguntar se o Liverpool já o será ou se sempre foram o Mónaco e o Celtic quem mais perto está de o ser).
Deixando o mundo da bola, a banca veio uma vez mais a terreiro publicitar os lucros recordes atingidos no ano transacto (desta feita pela mão da CGD), tudo perante a indiferença de Sócrates, que continua a fazer incidir o agravamento de impostos sobre consumidores e classes trabalhadoras. Igualmente a enriquecer no seio da crise instalada está a EDP que, pese os lucros crescentes, não abdica de sobrecarregar os consumidores domésticos com taxas de facturação a cada dia mais penalizantes. O monopólio tem destas coisas e – sina lusitana – mesmo quando é propagandeado o seu fim, é de adivinhar que tempos melhores não se avizinharão, já que fica aberta a porta a um qualquer arquétipo de oligopólio à moda das gasolineiras (algo que, confesse-se, Belmiro não enjeitaria impor na PT, repartindo-a em duas empresas que se cingiriam a administrar concertadamente preçários a aplicar).
Quem não se apoquenta com a crise e menos reformula a sua postura e hábitos são os políticos. Subsídios de reintegração, ajudas de custo ou despesas de representação à parte (i.e., despudorados assaltos legalizados aos dinheiros públicos), eis que em tempo de vacas magras os deputados da nação (não se sabe se mais honrosos os primeiros que a última ou vice-versa) efectuaram em 2005 deslocações avaliadas em 1,2 milhões de euros. Coisa de somenos relevância e, por isso, no assunto não se insistirá.
Fale-se antes do aumento das taxas moderadoras referentes à saúde, para referir ser curiosa (e nada abusiva) a interpretação que os governos da pátria fazem da Constituição. Nela se sublinha que o ensino deve ser tendencialmente gratuito, mas neste as propinas surgiram como meio de financiamento regular; e nela se sublinha que a saúde deve ser tendencialmente gratuita, mas também esta tende a sê-lo cada vez menos. A elitização de direitos essenciais num Estado de direito (onde jaz ele?) prossegue a todo o vapor. A pouco e pouco, para que a celeuma social não cause mossa, mas prossegue. Para auxiliar no festim, eis que foi empossado o Presidente da República da Direita que comporá o ramalhete com o Governo de... Direita (assim mesmo, sem equívocos instalados). Rejubilam o grande capital e a nata da socielite.



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