quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Jamais Vivalma Granjeou Maior Respeito Por Se Colocar De Cócoras

Por estes dias repetem-se as matérias de que aqui se falam. Quer isto dizer que lá se tornarão a abordar as polémicas caricaturas de Maomé na sequela do comunicado do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, a propósito da publicação das mesmas em inúmeros jornais do mundo ocidental.
Como se sabe, entendeu Freitas do Amaral repudiar a publicação de tais caricaturas ofensivas para a comunidade muçulmana. E fê-lo, não a título pessoal, mas – como é bom de ver – no usufruto do cargo ministerial que o eleva a voz difusora da posição e pensamento do Estado português além-fronteiras. Ora, pouco mais que o epíteto cobardia poderá qualificar o comunicado de Freitas do Amaral, porquanto ao já sublinhado repúdio pela publicação de tais caricaturas (algo admissível na óptica do bom senso, mas não no da liberdade de expressão que constitui património do Ocidente) não se somou a condenação pela natureza da resposta do mundo árabe, tanto mais quando esta chegou, não pela mão dos argumentos racionais, mas pela da violência que retira razoabilidade a qualquer luta.
O facto de a resposta muçulmana de extrema violência ter, na sua vertente mais gravosa, recebido a conivência de quem lidera nações como a Síria, mormente no concernente a ataques perpetrados contra representações diplomáticas ocidentais e europeias, somente contribui para agudizar a perplexidade despoletada pelo comunicado de Freitas do Amaral, que se absteve de se solidarizar com parceiros naturais de Portugal quando os interesses destes são ameaçados um pouco por todo o Médio Oriente. E quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros vem, mais tarde, justificar a tomada de posição com a premência de serem evitadas escaladas de violência entre o mundo muçulmano e ocidental, fica Portugal a saber que encontrará em Freitas do Amaral a personalidade adequada ao se revelar necessário prestar vassalagem a quem pretende subjugar liberdades e modos de vida de todo o planeta (e não somente do quinhão deste que professa o islamismo) à violência, intolerância e fanatismo religiosos.
Igualmente por saber, ou talvez não, ficou o motivo pelo qual de Freitas do Amaral (que tanto apela à compreensão de um mundo muçulmano não compreendedor de mundos diferentes do seu) em tempo algum se terá ouvido com idêntica veemência e sentido de oportunidade a condenação dos líderes muçulmanos e seus povos pelo regozijo com ataques terroristas intentados contra o Ocidente em nome do Islão. Porventura meros desenhos terão maior força e relevância que milhares de vidas ceifadas, subentender-se-á. Seja como for, e para lá de do chefe de Governo não se ter escutado palavra sobre o assunto (por ser norma o desejo de se não comprometer com nada ou ninguém), o que sobeja de todo o episódio alimentado por Freitas do Amaral é o facto de o mesmo ter emprestado uma imagem cobarde e vexatória ao mundo ocidental, a qual, felizmente, só não adquiriu contornos de maior constrangimento dada a micro-dimensão e nula relevância no panorama político internacional deste pequeno país chamado Portugal e, bem assim, do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros.



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