quinta-feira, setembro 29, 2005

O Que Sossobrou Do Verão: Altruísmos e Candidatos a Poleiros

Como já houve tempo de verificar, passaram céleres as férias sem que por esse motivo o país tenha parado. No Governo, mais especificamente na pasta das finanças, quem instigou os portugueses a apertar o cinto deixou de exercer funções no Terreiro do Paço. Ao que tudo indica, Campos e Cunha estará a dispender os últimos tempos envolto numa extenuante ginástica mental alimentada pela legítima e perturbante preocupação de procurar descobrir de que modo poderá agora enfrentar as despesas básicas do quotidiano com a mísera pensão auferida em resultado dos parcos anos gastos na governação do Banco de Portugal. Dilemas...
No Ministério das Finanças já habita, há algum tempo, outro hóspede identicamente mal pago. Vindo directamente da presidência da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, onde auferia um módico ordenado superior a dezena e meia de milhares de euros, consta que Teixeira dos Santos terá renunciado a um valor próximo dos dez mil euros de molde a assumir a pasta das finanças, de acordo com notícia difundida por um reputado matutino da praça lusa. Mais: a exemplo do supradito líder ministerial, também dois dos seus coadjuvantes – na Secretaria de Estado do Tesouro e Finanças e Secretaria de Estado do Orçamento – terão abdicado altruisticamente de avultadas somas salariais de forma a integrarem o elenco governativo socialista. Todavia, e se face a estes dados se quiser perdoar a questão conspirativa, alguém acreditará terem tais personalidades demonstrado tamanho desapego ao dinheiro sem antes se encontrar assegurada a sua prosperida económica e financeira, seja no período vigente ao da sua actuação na pasta das finanças ou na era subsequente? Os anos e respectivas precedências trazem ao povo ensinamentos e, por isso, a este já se tornou difícil o fardo de acreditar em fantasmas, ou seja, em tais devoções à causa pública e ao bem nacional. Continue, portanto, a cultivar a ingenuidade quem por ela se tentar...
Noutro âmbito, o período estival viu somarem-se os candidatos a Belém. À Esquerda, Jerónimo de Sousa e Louçã asseguram candidaturas de mera circunstância. No espectro socialista, com Vitorino voluntariamente excluído e Guterres refugiado no Alto Comissariado para os Refugiados da ONU, Freitas do Amaral nunca constituiu opção. Tudo baralhado e voltado a dar, sobrou o velho trunfo: Mário Soares. Mário Soares e, agora, um Manuel Alegre que, dificilmente seduzindo votos ao centro, poderá obter a maior votação de toda a Esquerda. Já à Direita, Cavaco alimenta um tabú idêntico ao que em tempos lhe trouxe amargos resultados. Mesmo assim, repete-se a estratégia, para desespero de Marques Mendes e do próprio CDS, forçados a manter-se refém de quem só avançará após serem conhecidos os resultados das Autárquicas. E se Cavaco, posteriormente, se indisponibilizasse para Belém? Este cenário estará descartado, mas, a suceder, com Santana em justificada e desejável hibernação política, somente restaria Marcelo, já que fora da sua matilha do Atlântico (eternamente disposta à prestação de vassalagem) João Jardim mais não venceria que umas eleições para a mesa da Assembleia Geral do Grupo Recreativo dos Unidos de Rodilhas de Baixo.

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