quinta-feira, maio 12, 2005

Um País De Tanga Que Se Concede Ao Luxo De Pagar Ordenados Assim

Poder-se-á pensar que, ao se fazer uma incursão nos media, está-se a falar doutra coisa que não de política. Sucede que quando se fala da Rádio e Televisão de Portugal é também de política que se fala e, bem assim, do modo como é gerida a coisa pública. A notícia não é nova e, como a maioria das que neste blogue se comentam, não é aqui fornecida em primeira mão. Contudo, não é isso que retira o interesse da mesma. Senão, atente-se...
Sustentada pelos contribuintes (com o dinheiro investido a evaporar-se mais depressa que água no deserto), na RTP existem profissionais que – em anunciada época de contenção – auferem ordenados verdadeiramente hollywoodescos. A confirmá-lo, verifique-se a política de vencimentos adoptada pela televisão pública e no modo como são bem empregues os dinheiros de todos aqueles a quem são solicitados sacrifícios, uma vez considerados os ordenados-base, prémios, subsídios e ganhos resultantes de prestações irregulares. Assim, Luís Andrade, consultor da RTP e ex-director de programas, aufere um valor superior a 24 mil euros mensais; José Alberto de Carvalho, jornalista e sub-director de informação que possui o 12º ano de escolaridade, aufere mais de 22 mil euros mensais; José Rodrigues dos Santos, ex-director de informação licenciado em jornalismo, embolsa qualquer coisa como 14 mil euros mensais; Judite de Sousa, licenciada em letras e sub-directora de informação, aufere cerca de 13 mil e quinhentos euros a cada mês; Maria José Nunes, operadora de supervisão de imagem que possui o 12º ano de escolaridade, aufere a módica quantia de 10 mil euros mensais, mais cêntimo menos cêntimo.
Tomando os mesmos enquanto mero exemplo, se a todos os ordenados atrás referidos (em tudo dissonantes da realidade económica nacional e onde, curiosamente ou nem tanto, os vencimentos-base constituem sempre uma fracção mínima do grosso dos ganhos auferidos) se somarem despesas de representação adicionais, então poder-se-á ter uma noção bastante mais exacta dos motivos pelos quais ao longo dos anos a televisão estatal se deixou afundar num passivo que faz da mesma uma das empresas públicas onde em maior grau o dinheiro dos portugueses é incinerado.
Como se explicará aos contribuintes o facto de, considerem-se dois casos entre outros tantos, Luís Andrade somar a um ordenado-base de 3 mil e setecentos euros mais de 8 mil euros de prémios e subsídios regulares e, como se não bastasse, mais 12 mil euros provenientes de prestações irregulares? E porque razão José Alberto de Carvalho soma a um ordenado-base pouco acima dos 2 mil euros mais de 12 mil e quinhentos euros de subsídios e prémios regulares e, porque a vida está difícil, mais 7 mil euros resultantes de prestações irregulares? A um governo verdadeiramente representativo dos interesses nacionais exige-se que exorte a administração da RTP a justificar números como os anteriores, os quais surgem em época de contenção e quando a televisão pública se debate com a insatisfação de muitos dos seus trabalhadores confrontados com a incongruente política de vencimentos praticada na televisão de todos e de cada um dos portugueses.

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