sábado, maio 07, 2005

A Par Do Cartão, Vidro Ou Plástico, Aplique-se a Reciclagem à Política

No Pombal aterraram, à coisa de vinte ou trinta dias, as mais proeminentes aves raras do PSD, num congresso que fica indubitavelmente marcado pelo duo de candidatos à liderança do partido e seu esgrimir de argumentos de bocejante interesse.
Torcido e espremido, pouco sobrará de relevante dos discursos proferidos por Marques Mendes e Filipe Menezes. O primeiro lançou novas farpas à liderança cessante do partido, apelando à necessidade de a emoção ceder lugar à racionalidade na actuação do (agora) maior partido da oposição, mas também declarando deverem os sociais-democratas apoiar Cavaco numa eventual corrida a Belém (realidade que não deixará de despoletar um ou outro sintoma de azia em Santana Lopes); o segundo, anti-elitista e anti-sulista, optou por reduzir as próximas Autárquicas a uma mera corrida entre laranjas e rosas onde o que mais contará será o número de câmaras ganhas e não o propósito de servir populações (aplauda-se a coerência manifestada pela pretensão de ser dada continuidade ao legado de Santana e à ausência de ética associada ao desenvolvimento de cargos políticos relevantes).
Foi, ainda, embruído do desejo de descer à capital com o intuito de salvar os fracos e os oprimidos que Menezes declarou dever Sócrates preparar-se para o ver percorrer bairros degradados das áreas metropolitanas em períodos nocturnos. Ora, no sentido de auxiliar Menezes em tal tarefa espinhosa, por aqui aconselhar-se-ía um roteiro turístico com início nas imediações da Couva da Moura, na certeza de que cresceria a probabilidade de Portugal despertar no dia seguinte com menos um dos enésimos políticos que neste país encontram espaço para se movimentar ao fazer da demagogia e do populismo desbragado a sua uzi de campanha e trabalho. Reconheça-se, caros concidadãos, que se Menezes soubesse ter francas possibilidades de ascender à liderança do PSD (como, já se sabia, não veio a suceder), promessas semelhantes à anterior seriam liminarmente atiradas para a mesinha de cabeceira. Viva, pois, o populismo.
Mendes e Menezes à parte, soube-se que Manuela Ferreira Leite terá solicitado o abandono do Governo à data da fuga de Barroso para a Comissão Europeia por adivinhar seguir-se um período de preparação para as Legislativas, com a natural adopção de medidas (volta a bater-se na mesma tecla) populistas. Nada de anormal, admitir-se-á, porquanto as segundas metades de uma legislatura – seja ela liderada por partidos mais à Direita ou mais à Esquerda – sempre foram marcadas por medidas de pendor assumidamente eleitoralista. Para mais, e evitando-se comentários excusadamente alongados, quando da própria classe política parte o reconhecimento dos princípios pouco ou nada éticos por que se regem e fazem reger a vida política e social do país, que mais sobrará por dizer? Talvez somente isto: promova-se urgentemente a renovação do espectro político nacional. E numa democracia, se no interior da classe política a regeneração não acontecer, que o povo da mesma se encarregue de forma tão sábia quanto sabiamente tirou do poder quem o tomou de assalto até às últimas Legislativas. Lá pelos Paços do Concelho lisboeta mora quem sabe do que se fala.

Rodam As Putas à Discrição Quando Soam Apitos a Favor Do Dragão

Foi descoberta a pólvora no futebol lusitano quando se fez saber que Pinto da Costa terá, em tempos, aliciado árbitros com o intuito de a sua actuação, em última instância, prejudicar concorrentes directos ao ceptro máximo nacional. A notícia há poucas semanas veiculada, reconheça-se, mais não representará que uma réstea de fumo no meio de todo o fogo que há muito incendeia de corrupção e tráfico de influências o futebol lusitano. Ainda assim, não sendo novidade a descoberta vinda a lume, o que doravante mais aguçará a curiosidade da opinião pública será a reacção a tomar pela generalidade dos clubes da Liga de Futebol Profissional, porquanto a nenhum será admissível, do ponto de vista ético, a manutenção de relações (institucionais ou informais) com um Futebol Clube do Porto que ainda vai sendo presidido por quem recorre a métodos menos lícitos como forma de assegurar vitórias e, bem mais, garantir derrotas de adversários.
Pinto da Costa, confirma-se pelo processo de que é arguido (juntamente com outra mão cheia de altas individualidades parasitas do futebol português), manterá estreitas e privilegiadas relações com o mundo da prostituição (por aqui se explicarão inúmeros dos questionáveis comportamentos adoptados pela sua companheira), sendo o pagamento dos favores prestados ao clube azul e branco pela ilustre arbitragem portuguesa executado por intermédio da disponibilização de meninas da vida aos senhores que se vestem de negro. Quem não terá ficado contente com esta aparente revelação (para lá dos pôncios que se estendem a Norte) terá sido Madaíl, o qual considerou não trazer nada de bom ao futebol luso o processo do Apito Dourado. Ou seja, na opinião do presidente da Federação Portuguesa de Futebol a situação ideal passará bem mais pelo branqueamento da corrupção no mundo do futebol, numa alegre complacência com o pântano de suspeições que nunca se confirmaram (ou, tão pouco, virão a confirmar) por se viver num país onde sobejam tanto os intocáveis quanto a ineficácia da justiça. O regresso de Valentim Loureiro à Liga será o melhor retrato disso mesmo.
Ainda como consequência do processo do Apito Dourado, Couceiro veio acusar os árbitros de actuarem condicionados em desfavor dos portistas, um condicionamento porventura semelhante ao que em tempos causavam as tentadoras ofertas de rebuçadinhos e viagens ao Brasil originárias dos lados das... Antas. Mais a Sul é Dias da Cunha quem opta por criticar a promiscuidade patente no futebol nacional, tendo por mote a deslocação para o Algarve do recontro entre Estoril e Benfica, uma mudança de palco de jogo nunca vista,... excepto quando também o Sporting ía à Maia defrontar o Leça e o Salgueiros. O líder sportinguista acusa ainda o Benfica de ter na mão uma arbitragem que o beneficiou no último confronto com o Belenenses. Pois, o puxão de Neca a Nuno Gomes na área dos de Belém será exemplo disso mesmo. Reconheça-se, neste inusitado folclore dos dirigentes que prolifera no futebol luso, há muito quem atire pedras, mas no final são sempre bem mais os telhados de vidro que se partem.

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