segunda-feira, março 21, 2005

A Boa Contratação Futebolística e, Uma Vez Mais, o Bendito Retornado

O Porto contratou o guardião que esta temporada enverga a camisola listada do Vitória de Setúbal. Ora, sucede que na última jornada o Benfica foi jogar à cidade de Bocage, sendo que no primeiro golo dos da capital o nóvel guarda-redes contratado pelo clube de Pinto da Costa contribuiu de sobremaneira para que os encarnados vissem o esférico aninhar-se nas redes da baliza sadina. Na verdade, não poderia ser melhor sucedida a tentativa do ainda guarda-redes setubalense agradecer ao seu novo patrão a contratação levada a bom termo. A gratidão, reconheça-se, fica sempre bem.
Mas esqueça-se o mundo da bola, que outros assuntos de interesse se interpõem. Santana lá voltou a fixar residência em Monsanto, na vivenda oficial cujos encargos de manutenção os munícipes lisboetas ajudam a suportar. Regressou à Câmara alfacinha (em tempo algum se duvidou que tal viesse a acontecer) despido de interesses materiais, como fez menção de afirmar, pese o facto de se saber ser o vencimento enquanto líder autárquico mais elevado que aquele que auferiria enquanto deputado da nação. Irrelevâncias, portanto. O que interessa é que Santana lá retornou quando melhor entendeu ao local de onde também saíu quando bem entendeu. Há lá profissão melhor que a de político, onde se sai e entra quando mais convém...
Na sua primeira passagem pelos Paços do Concelho lisboninos, o líder social-democrata que o vai deixar de ser conseguiu abrir uma cratera no Marquês cujo real prazo de execução se desconhece, dada a sensibilidade inerente a uma obra que por centímetros não entronca com os túneis do metropolitano; conseguiu fechar a Feira Popular sem, em momento prévio, garantir novo local para a mesma (tivessem sido a Lux e a Kapital e já teriam reaberto); conseguiu lançar fogo-de-artifício em redor da recuperação de um Parque Mayer em cujos espaços públicos ainda hoje prolifera o odor a urina de gato. Fora todos estes pormenores (reincide-se, portanto, na abordagem de matérias irrelevantes), Carmona afirmou, há pouco tempo, pretender limpar a paisagem da capital dos imensos outdoors que contribuem para uma poluição visual sem precedentes. Com o regresso de Santana, animal mediático por natureza (outra qualidade não se lhe reconhecerá), restará saber onde irá o mesmo colocar os seus cartazes com a habitual propaganda a obras feitas (como se estas resultassem de um mérito seu e não da obrigação decorrente das funções de líder autárquico). Ou seja, por outras palavras, onde irão os lisboetas ter a oportunidade de se extasiar com os célebres outdoors de Santana onde pontificam frases do género: «Já viu como a vigésima terceira pedra da calçada da sua rua, junto ao número 34C a contar do contentor de resíduos sólidos, está mais bonita?».
Não foi um membro socialista quem o frisou, mas sim Marcelo Rebelo de Sousa no seu espaço televisivo do último fim-de-semana: Santana regressou a Lisboa com o intuito de ocupar a liderança da autarquia até que encontre sítio melhor. Não será de estranhar, vindo de quem sempre esteve na política para se servir, nunca para servir.

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